Em meio à retórica hawkish do Federal Reserve e ao fortalecimento do dólar, os mercados financeiros globais entraram em um estado elevado de nervosismo: ouro e prata iniciaram uma liquidação que já se estende por várias semanas, enquanto os investidores continuam migrando para instrumentos mais defensivos.
Ao mesmo tempo, a crise geopolítica envolvendo o Irã vem afetando a infraestrutura e a logística de energia, elevando os preços do petróleo e fazendo com que os embarques de GNL despenquem. Assim, uma commodity-chave enfrenta interrupções nas rotas pelo Estreito de Ormuz.
Paralelamente, a escassez de memória semicondutora pressiona os preços no segmento de consumo: a Apple está elevando os preços de SSDs externos, e os fabricantes são forçados a realocar capacidade para HBM voltada à inteligência artificial.
Todos esses fatores, em conjunto, geram impulsos divergentes para commodities, moedas, energia e o setor de tecnologia. Recomendamos acompanhar esses desdobramentos de perto nos próximos dias.
Ouro e prata: onda de vendas em meio à valorização do dólar e à política monetária restritiva do Fed
O ouro e a prata continuam a sofrer uma forte liquidação às vésperas da nova semana de negociação. Os metais preciosos enfrentam uma retração que já se estende por várias semanas, no contexto da postura mais rígida do Federal Reserve, do fortalecimento do dólar americano e das preocupações com a inflação, agravadas pela forte alta dos preços da energia em consequência da guerra no Irã.
No início da sessão, os futuros do ouro caíram acentuadamente, ampliando as perdas e tornando março de 2026 um dos meses mais fracos para o metal precioso na memória recente. Segundo o Wall Street Journal, os contratos futuros de ouro com vencimento mais próximo eram negociados em torno de US$ 4.370 no fim da tarde de domingo, mais de US$ 200 abaixo do nível da sessão anterior.
De acordo com o Trading Economics, o ouro já perdeu cerca de 14% desde o início de março, após ter atingido uma máxima histórica de aproximadamente US$ 5.608 em janeiro. A pressão sobre o mercado persiste: a Bloomberg informou que o ouro pode estar a caminho de registrar sua maior queda semanal desde 1983. A razão é a alta dos preços da energia ligada ao conflito militar no Irã, que reduz a probabilidade de um afrouxamento iminente da política monetária.
A CNBC observa, por outro lado, que na semana passada o ouro caiu quase 10%, registrando sua pior queda semanal em anos. A prata sofreu uma queda ainda mais acentuada, diminuindo mais de 10% ao longo da semana.
Em algumas regiões, a dinâmica parece particularmente dramática. Na bolsa indiana MCX, o ouro já havia despencado 11% até meados de março, enquanto a prata registrou uma queda de 21% no mês, segundo a Finnotia.
Principais conclusões para o mercado
Os metais continuam em queda diante das expectativas de um Federal Reserve mais hawkish e da pressão persistente de um dólar mais forte.
Os temores inflacionários estão se intensificando devido à alta dos preços de energia provocada pela guerra no Irã, levando os investidores a revisarem suas expectativas de juros.
A prata apresenta maior volatilidade e uma queda mais acentuada em comparação ao ouro.
Nesse cenário, os traders podem aproveitar os movimentos do mercado: a forte fraqueza dos metais aumenta a probabilidade de operar na continuidade da tendência ou negociar repiques de curto prazo após a queda, especialmente em um ambiente de alta volatilidade.
Como os traders podem lucrar com a situação
A tática ideal depende do horizonte e do perfil de risco, mas, de forma geral, dois cenários são possíveis:
- Seguir a tendência de baixa: se a continuidade da queda for confirmada, considere operações de venda (short) com controle de stop loss.
- Negociação por níveis e reação: se o mercado começar a formar correções em condições de sobrevenda, os traders podem buscar pontos de entrada para operações de recuperação, utilizando níveis-chave e timeframes curtos para confirmação.
Instrumentos de negociação ligados aos movimentos do ouro e da prata estão disponíveis na plataforma InstaForex. Para não perder impulsos importantes do mercado e reagir rapidamente às mudanças nas cotações, recomenda-se abrir uma conta de negociação na plataforma e, para maior comodidade, baixar o aplicativo móvel da empresa.
O dólar americano volta a atuar como ativo de proteção (safe haven): investidores fogem do risco em meio à disrupção no setor energético.
Quase um mês após os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel ao Irã (28 de fevereiro), o dólar americano voltou a se fortalecer como principal moeda de refúgio (safe haven). Nesse contexto, o índice do dólar dos EUA subiu acima de 100: os investidores estão reduzindo a exposição a ativos de risco em meio à maior disrupção no fornecimento de energia em décadas.
Segundo a CNBC, o dólar se valorizou cerca de 2% frente ao euro desde o final de fevereiro. O principal motivo apontado é a busca por segurança, já que o conflito no Oriente Médio — que, na avaliação dos participantes do mercado, não apresenta sinais de resolução rápida — tem aumentado a aversão ao risco.
A dinâmica do índice do dólar foi notável: no fim de janeiro, caiu para uma mínima de cerca de 95,44; em meados de março, voltou a superar 100 e, posteriormente, estabilizou-se próximo de 99,50 em 20 de março.
Analistas observam que a força do dólar pode ser estrutural e diretamente correlacionada com a dinâmica dos preços do petróleo. Em particular, sugere-se que o dólar pode subir de 0,5% a 1% para cada aumento de 10% nos preços do petróleo.
A lógica é simples: a escalada eleva os custos de energia e, com isso, a aversão ao risco, levando os investidores a escolherem com mais frequência o dólar como um ativo mais seguro nesses períodos.
É notável que a alta do dólar continue mesmo com os Estados Unidos conduzindo operações militares que aumentam a turbulência. A CBS News citou o analista Brad Keates, que afirmou que o sistema financeiro dos EUA continua sendo um dos mais profundos, seguros e estáveis para investimento, e que isso não mudou. Na sua visão, a valorização do dólar nas últimas duas semanas confirma que os participantes do mercado ainda confiam na resiliência da infraestrutura financeira americana.
Principais pontos
O dólar volta a se fortalecer como moeda de refúgio: o índice do dólar dos EUA ultrapassou 100 e se mantém em torno de 99,50.
O mercado reage reduzindo a demanda por ativos de risco devido ao conflito no Oriente Médio e à disrupção energética.
A correlação com o petróleo pode persistir: com uma alta de 10% no petróleo, o dólar pode ganhar entre 0,5% e 1%, segundo estimativas.
Os traders podem aproveitar a situação acompanhando de perto a dinâmica do índice do dólar, as principais notícias geopolíticas e os movimentos do petróleo — isso ajuda a avaliar antecipadamente a probabilidade de continuidade da valorização do dólar ou de uma possível pausa/reversão.
Como lucrar
Na prática, isso pode ser implementado por meio da negociação de pares de moedas e instrumentos ligados à dinâmica do dólar (utilizando níveis do índice e a reação do mercado ao petróleo e às notícias). É útil definir previamente cenários (continuação da tendência ou correção) e trabalhar com níveis claros de entrada, risco e realização de lucros.
As exportações globais de GNL caem para o nível mais baixo dos últimos seis meses
As exportações de gás natural liquefeiro (GNL) caíram de forma significativa nas últimas semanas: a média móvel de 10 dias dos embarques recuou para o menor nível em seis meses. O crescimento esperado de novos projetos nos Estados Unidos e no Canadá foi, na prática, anulado pela paralisação de rotas-chave no Golfo Pérsico em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
De acordo com uma análise da Bloomberg com base em dados de rastreamento de embarcações da Kpler, a média móvel de 10 dias dos embarques de GNL caiu cerca de 20% desde o início de março, para 1,1 milhão de toneladas — o nível mais baixo desde setembro.
Estima-se que o maior impacto esteja relacionado à situação no Catar, enquanto um impacto relevante, embora menor, afetou os Emirados Árabes Unidos. Ambos os países dependem fortemente do Estreito de Ormuz para entregar gás aos consumidores na Ásia e na Europa.
A situação começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram alvos políticos e nucleares iranianos. Em resposta, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra nove países do Golfo Pérsico, o que levou, na prática, ao fechamento do Estreito de Ormuz para o transporte comercial. Cerca de um quinto das exportações globais de GNL passam por essa rota.
A maior produtora mundial de GNL, QatarEnergy, declarou força maior após ataques iranianos obrigarem a empresa a interromper a produção nas instalações de Ras Laffan e Mesaieed no início de março. Um ataque adicional, uma semana antes, já havia atingido o maior complexo de exportação de GNL do mundo — Ras Laffan.
Segundo o CEO da QatarEnergy, Saad al-Kaabi, citado pela Reuters, duas das 14 unidades de produção da planta foram danificadas. Como resultado, cerca de 17% da capacidade de exportação de GNL do Catar foi retirada de operação — o equivalente a 12,8 milhões de toneladas por ano. A interrupção deve durar entre três e cinco anos.
A Kpler informa que nenhum navio-tanque de GNL atravessou o Estreito de Ormuz desde 28 de fevereiro. Quase 1 milhão de toneladas de GNL do Catar permanecem bloqueadas no Golfo Pérsico, mantendo a tensão no mercado elevada e aumentando o risco de novas reduções na oferta no curto prazo.
Principais pontos
A logística de GNL foi bloqueada devido ao fechamento de uma rota-chave — o Estreito de Ormuz.
A redução da oferta é ampliada não apenas pelas restrições de transporte, mas também pelas perdas de produção da QatarEnergy: estima-se uma queda de capacidade de 17% (12,8 milhões de toneladas por ano) por um período de três a cinco anos.
O mercado enfrenta um choque adicional de oferta e demanda, o que aumenta a probabilidade de movimentos bruscos em ativos relacionados.
Como os traders podem aproveitar o cenário atual:
1) Monitorar as notícias sobre o Estreito de Ormuz e as instalações de produção do Catar;
2) Avaliar o ritmo de normalização dos fluxos e reagir às mudanças nas expectativas de oferta.
Na prática, isso pode ser aplicado por meio da análise de volatilidade, níveis e do cenário de notícias (por exemplo, buscando pontos de entrada após confirmação de tendência ou antes de divulgações/declarações importantes).
A Apple aumenta drasticamente os preços dos SSDs externos: a escassez de memória continua afetando os consumidores
A Apple aumentou significativamente os preços dos drives externos vendidos em suas lojas e no site oficial. Fontes do setor afirmam que os aumentos estão ligados ao agravamento da escassez global de chips de memória, que tem afetado a eletrônica de consumo e reduzido a oferta no mercado.
Segundo Mark Gurman, da Bloomberg, em sua newsletter dominical "Power On", um SSD externo SanDisk de 4 TB que antes custava cerca de US$ 500 agora está sendo vendido por quase US$ 1.200. O preço de um modelo menor também subiu de forma semelhante: um SSD SanDisk de 1 TB passou de US$ 120 para mais de US$ 350.
Os aumentos de preço afetaram várias marcas e configurações de drives, tanto online quanto nas lojas físicas da Apple. Os estoques estão se esgotando rapidamente, e os compradores provavelmente enfrentarão disponibilidade limitada.
Esses aumentos refletem uma crise mais profunda na indústria de semicondutores. Fabricantes de memória, incluindo a Samsung, SK Hynix e a Micron Technology, estão redirecionando parte de sua capacidade para memória de alta largura de banda (HBM), usada em processadores gráficos para data centers de IA.
Como resultado, há escassez de DRAM e memória flash NAND voltadas ao consumidor. A CNBC observa que, para cada unidade de HBM produzida, a Micron precisa sacrificar a produção de três unidades de memória padrão.
Pontos principais
Os preços dos SSDs externos no ecossistema da Apple dispararam: modelos de 4 TB chegaram a quase US$ 1.200, enquanto os de 1 TB ultrapassaram US$ 350.
O motivo é a contínua escassez de memória, já que os fabricantes estão redirecionando capacidade para HBM voltada à inteligência artificial.
A oferta limitada sustenta preços mais altos e aumenta a probabilidade de novas interrupções na disponibilidade.
O problema pode durar mais do que o normal: as projeções indicam que a escassez pode se estender até 2030.
Os traders podem se beneficiar dessa situação, já que a escassez de memória e a realocação de capacidade tendem a aumentar a volatilidade em setores relacionados, como semicondutores, componentes de memória, infraestrutura de IA e fornecedores de armazenamento.
Como os traders podem lucrar
Na prática, isso significa que os participantes do mercado podem considerar cenários ligados ao aumento da demanda e à oferta restrita:
- abrir posições com base em movimentos correlacionados de ativos do setor de semicondutores;
- utilizar as reações do mercado a notícias sobre escassez/preços e prazos de recuperação;
- aplicar uma gestão de risco adequada diante da maior volatilidade (uso de stop loss, dimensionamento de posição e controle de drawdown).
Os instrumentos de negociação que refletem as tendências de mercado descritas estão disponíveis na plataforma InstaForex. Para tornar a operação ainda mais prática, baixe o aplicativo móvel da empresa e acompanhe o mercado a qualquer momento. Abra uma conta de negociação na InstaForex e aproveitar as oportunidades oferecidas pela dinâmica atual do mercado.