Na semana passada, o par GBP/USD recuou até ao desequilíbrio de alta 18, reagiu a esse padrão, formou um engolfo de alta e depois retornou ao desequilíbrio de baixa 19, continuando desde então a negociar dentro desse padrão sem tentar rompê-lo. Não houve reação ao desequilíbrio 19, o que significa que o quadro técnico continua a favorecer a continuação do movimento de alta.
A valorização da libra na última semana e meia foi impulsionada pelo crescente otimismo do mercado em relação à possibilidade de um acordo-quadro entre o Irão e os Estados Unidos. Contudo, nesta semana, as hipóteses de um acordo no curto prazo voltaram a diminuir acentuadamente, enquanto os riscos de um conflito prolongado e de negociações fracassadas aumentaram de forma significativa. Assim, os vendedores voltaram a ganhar suporte no curto prazo, que, diante dos mais recentes acontecimentos no Médio Oriente e no Reino Unido, poderá eventualmente transformar-se em suporte de longo prazo.

Amanhã, o governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, deverá discursar, e este não é apenas o evento mais interessante do dia — é, na prática, o único realmente relevante. O mercado procurará sinais sobre a possível decisão do Banco de Inglaterra na próxima reunião. Para muitos traders, já parece evidente que um novo aperto monetário é improvável, uma vez que o Índice de Preços ao Consumidor desacelerou para 2,8% em abril. No entanto, o presidente do banco central britânico poderá indicar se os mercados devem esperar uma política mais restritiva mais adiante em 2026 e quais são, neste momento, as projeções da instituição para a inflação. Após o relatório de abril, alguns analistas concluíram que o abrandamento da inflação poderá ter sido temporário. Se isso se confirmar e a inflação voltar a acelerar, o Banco de Inglaterra poderá retomar a subida das taxas de juro mais tarde.
A situação em torno da resolução do conflito no Médio Oriente vem melhorando gradualmente, mas os traders continuam receosos de que o equilíbrio possa voltar a inclinar-se para uma nova escalada. E isso não demorou a acontecer: esta semana, os Estados Unidos lançaram mais dois ataques com mísseis contra instalações iranianas, enquanto o Irão respondeu com um ataque a uma base militar norte-americana no Kuwait. Resta esperar que as negociações não colapsem na sequência destes acontecimentos e que o acordo — alegadamente já aprovado pelas partes — não seja cancelado. Até agora, esta semana foi marcada apenas por manchetes pessimistas.
Na minha opinião, a tendência continua de alta, apesar das fortes quedas registradas pelo par no início do ano. Neste momento, o cessar-fogo no Médio Oriente permanece frágil, mas ainda se mantém e poderá inclusive ser prolongado por mais 60 dias caso Teerã e Washington assinem um acordo-quadro. No entanto, o Estreito de Ormuz continua sob bloqueio duplo, a questão nuclear permanece sem solução e qualquer avaliação sobre avanços nas negociações depende quase exclusivamente das declarações de Donald Trump. A situação continua a alternar entre sinais positivos e negativos. Por enquanto, o mercado ainda acredita que um acordo é possível, mas essa confiança não é ilimitada, e os acontecimentos mais recentes no Estreito de Ormuz poderão, no mínimo, dificultar futuras negociações.
Do ponto de vista técnico, o cenário é atualmente o seguinte: o desequilíbrio de alta 18 provocou uma reação do mercado, enquanto o desequilíbrio baixista 19 tende a ser invalidado. Assim, a configuração técnica continua a apoiar uma nova valorização da libra. Resta apenas acompanhar atentamente os desenvolvimentos geopolíticos para encerrar posições compradoras a tempo caso as negociações voltem a entrar num impasse e o acordo-quadro permaneça apenas "95% acordado".
O pano de fundo econômico desta quinta-feira esteve presente, mas não conseguiu captar a atenção dos traders. Os relatórios econômicos dos EUA dificilmente podem ser considerados secundários, mas o mercado continua totalmente focado na geopolítica e reage quase exclusivamente a ela.
Nos Estados Unidos, o panorama fundamental mais amplo continua a sugerir que, no longo prazo, há poucas razões para esperar algo diferente de um enfraquecimento adicional do dólar. Mesmo o conflito entre Irão e Estados Unidos altera pouco esse quadro. As tensões geopolíticas apenas relembraram temporariamente ao mercado o estatuto do dólar como ativo de refúgio ao longo dos últimos dois meses, mas, no conjunto, a perspectiva de longo prazo para a moeda norte-americana continua difícil. O mercado de trabalho dos EUA continua a enfraquecer, a economia aproxima-se de uma recessão e o Federal Reserve não dispõe de condições suficientes para um novo aperto monetário em 2026. Além disso, já ocorreram quatro grandes manifestações contra Donald Trump em todo o país, e a eventual saída de Jerome Powell poderá agravar ainda mais o cenário para o dólar caso o FOMC, sob a liderança de Kevin Warsh, adote uma postura mais dovish. Do ponto de vista estritamente econômico, continuo sem ver fundamentos sólidos para uma valorização sustentada do dólar no longo prazo.
Calendário de notícias para os Estados Unidos e o Reino Unido:
- Reino Unido – Discurso do presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey (08:20 UTC).
O calendário econômico de 29 de maio contém apenas um evento que pode ser considerado importante. No entanto, tudo dependerá do que o presidente do Banco da Inglaterra tiver a dizer. O panorama econômico poderá influenciar o sentimento do mercado nesta sexta-feira.
Previsão e dicas de negociação para o GBP/USD:
Para a libra esterlina, a perspectiva de longo prazo continua a ser de alta. O padrão Three Drives alertou os traders sobre o início do movimento ascendente e, desde então, formaram-se três padrões de alta e três sinais de alta, todos passíveis de serem aproveitados pelos investidores.
Há duas semanas, os acontecimentos geopolíticos complicaram o cenário otimista dos compradores, mas ainda assim eles conseguiram manter o controlo e formar um novo sinal de alta dentro do imbalance 18. Caso os desenvolvimentos geopolíticos permaneçam positivos, a tendência de subida deverá continuar.
Considero o topo de 2026 em 1.3867 como o principal alvo para a libra, enquanto o objetivo mais próximo está em 1.3656. Neste momento, não existem fundamentos para considerar uma tendência de baixa. O único imbalance de baixa está próximo de ser invalidado. Por razões óbvias, padrões de baixa não podem formar-se durante um movimento de mercado claramente de alta.